29

Maio

18h00

Entre Memória e Resistência

MODERADOR: MARTA LANÇA

O que ficou da causa independentista nas gerações seguintes? Como se transporta essa memória para as lutas actuais? Que tipo de resistência cultural se tem praticado?

Por um lado, a his­tó­ria dos naci­o­na­lis­tas, o com­bate ao colo­ni­a­lismo, e a independência.

A vida no tempo colo­nial e as estra­té­gias de luta: a clan­des­ti­ni­dade, o pro­grama Angola Com­ba­tente, a pós-independência. Por outro, a gera­ção her­deira de um pas­sado revo­lu­ci­o­ná­rio que denun­cia as injus­ti­ças actu­ais e que rei­vin­dica o lugar dos afro­des­cen­den­tes em Por­tu­gal. Entre ambas, a cul­tura como resis­tên­cia, lite­ra­tura, música, tea­tro e comu­ni­ca­ção, lin­gua­gens que expri­mem dores colec­ti­vas e criam movimentos.

MARTA LANÇA

Nas­ceu em Lis­boa em 1976. Jor­na­lista, tra­du­tora, edi­tora e pro­du­tora, formou-se em Lín­guas e Lite­ra­tu­ras Moder­nas, e é Dou­to­randa em Estu­dos Artís­ti­cos na Facul­dade de Ciên­cias Soci­ais e Huma­nas da Uni­ver­si­dade Nova de Lis­boa. Bol­seira da FCT. Criou a revista V-ludo e escre­veu em várias publi­ca­ções como a revista Ler, jor­nal Público, DNA ou Le Monde diplo­ma­ti­que. Viveu em Cabo Verde, Angola, Moçam­bi­que e Rio de Janeiro, onde desen­vol­veu pro­jec­tos cul­tu­rais, e tra­ba­lhou em várias revis­tas e publi­ca­ções. Esteve envol­vida na pes­quisa e pro­du­ção das séries docu­men­tais e comis­sa­riou o Roça Lín­gua, pri­meira resi­dên­cia de escrita de auto­res de lín­gua por­tu­guesa em São Tomé e Prín­cipe. Em 2010 criou o por­tal BUALA do qual é editora.


ADOLFO MARIA

Nas­ceu em Luanda em 1935 e, desde jovem que se entre­gou ao com­bate pela inde­pen­dên­cia de Angola, nas suas ver­ten­tes cul­tu­ral, polí­tica e armada. Foi mem­bro dos cor­pos diri­gen­tes da Soci­e­dade Cul­tu­ral de Angola e do Cine-Clube de Luanda, do corpo redac­to­rial do jor­nal Cul­tura e foi jor­na­lista no diá­rio luan­dense ABC. Em 1959, foi preso pela PIDE, e anos mais tarde par­tiu para o exí­lio, onde foi um dos fun­da­do­res e diri­gen­tes do Cen­tro de Estu­dos Ango­la­nos, em Argel. Diri­giu a Rádio Angola Com­ba­tente e a cor­rente con­tes­ta­tá­ria Revolta Activa, no MPLA. Em Por­tu­gal e em Angola, dá con­ti­nui­dade ao debate sobre África, rela­tando os tes­te­mu­nhos dos tem­pos que viveu em guerra e no exilo.


ANABELA RODRIGUES

Des­cen­dente de imi­gran­tes, é mãe, poeta e acti­vista. Co-cordenadora da Asso­ci­a­ção Grupo Tea­tro do Opri­mido de Lis­boa e uma das men­to­ras do AMI-AFRO, uma ino­va­dora expe­ri­ên­cia esté­tica sobre as espe­ci­fi­ci­da­des das opres­sões enfren­ta­das pelos afro-descendentes que aborda de forma artís­tica temas silen­ci­a­dos como a dis­cri­mi­na­ção racial, de sexo e classe. É mem­bro da rede inter­na­ci­o­nal de Orga­ni­za­ções de Tea­tro do Opri­mido da Europa Together (Por­tu­gal, França, Espa­nha, Ale­ma­nha, Itá­lia, Croá­cia e Reino Unido); foi coor­de­na­dora de ati­vi­da­des de edu­ca­ção não for­mal na Asso­ci­a­ção Cul­tu­ral Moi­nho da Juven­tude (1997–2008) e da Fun­da­ção Fran­cis Obikwelu (2008–2009).


CARLA FERNANDES

Nas­ceu em Angola e cres­ceu em Por­tu­gal. É jor­na­lista e pro­du­tora de rádio fre­e­lan­cer e blog­ger. Formou-se em Tra­du­ção das lín­guas inglesa e alemã na Facul­dade de Letras da Uni­ver­si­dade de Lis­boa. Em 2008, ingres­sou num curso de rádio para jor­na­lis­tas inter­na­ci­o­nais na Deuts­che Welle Aka­de­mie, em Bona, e tra­ba­lhou durante seis anos na reda­ção de por­tu­guês para África da Rádio Deuts­che Welle. Em finais de 2013, vol­tou para Lis­boa para fazer um mes­trado em Comu­ni­ca­ção, Cul­tura e Tec­no­lo­gias da Infor­ma­ção. Um ano depois, criou o audi­o­blo­gue Rádio Afro­Lis, onde trata assun­tos rela­ci­o­na­dos com as comu­ni­da­des afro­des­cen­den­tes a viver em Lisboa.


VIRGÍLIO VARELA

Tem mes­trado em Edu­ca­ção pelo King’s Col­lege, Uni­ver­sity of Lon­don, diploma em Ges­tão de Pro­jec­tos pelo Ins­ti­tute of Lea­dership and Mana­ge­ment. É formador/consultor em fer­ra­men­tas de Ino­va­ção Social. Desen­vol­veu pro­jec­tos soci­ais e for­ma­ções em Por­tu­gal, Ingla­terra, França e Bra­sil. Desde 1995 que tra­ba­lha com jovens e criou um Pro­grama de Artes da Juven­tude com­bi­nando dança, música e tea­tro. Em 2011 lan­çou Do Something Por­tu­gal, um pro­jecto de volun­ta­ri­ado jovem para ins­pi­rar a mudança social. É com­po­si­tor de can­ções e autor da rúbrica de tele­vi­são Ino­va­do­res Soci­ais na RTP África.

As conferências decorrem em português.