22

Maio

19h30

Filhos da Guerra

Entre 1961 e 1975, cerca de um milhão de homens portugueses foram enviados para três frentes de batalha, na tentativa de manter um moribundo império colonial. Há uma geração de filhos que cresceu com histórias desta guerra, umas contadas, outras mais ou menos escondidas. Com o passar dos anos, os álbuns de fotografia foram sendo arrumados nas arrecadações de muitas casas portuguesas.

O que trans­mi­ti­ram estes pais sobre as suas expe­ri­ên­cias de guerra?

O que se pode con­tar a um filho? Terão alguns des­tes homens con­tado aos seus filhos por­tu­gue­ses que têm irmãos afri­ca­nos que nunca conheceram?

Nos sítios onde houve guerra, alguns des­tes ex-militares fize­ram filhos a mulhe­res afri­ca­nas. Na altura, havia quem lhes cha­masse por­tu­gue­ses sua­ves, hoje, filhos do vento. São homens e mulhe­res, que eram cri­an­ças e que hoje são adul­tos, e que con­ti­nuam a per­gun­tar “quem é o meu pai tuga?”.

Cata­rina Gomes

FILHOS DE E FILHOS DE 

CATARINA GOMES

Jor­na­lista do Público há 17 anos e autora do livro Pai, tiveste medo? (edi­ções Matéria-Prima) que reúne doze his­tó­rias sobre a guerra colo­nial vista por filhos de ex-combatentes, sendo tam­bém ela filha de um ex-combatente. Do livro nas­ceu a repor­ta­gem Filhos do Vento. Em 2015, a jor­na­lista rece­beu o Pré­mio AMI – Jor­na­lismo Con­tra a Indi­fe­rença com duas repor­ta­gens, uma sobre o desa­pa­re­ci­mento de um pai que tinha Alzhei­mer (Perdeu-se o pai de José Car­los) e outra sobre his­tó­rias de filhos de doen­tes com lepra sepa­ra­dos dos pais à nas­cença (Infân­cias de Vitrine).

 

OS NETOS QUE SALAZAR NÃO TEVE

MARGARIDA CALAFATE RIBEIRO

Dou­to­rada em Estu­dos Por­tu­gue­ses pelo King’s Col­lege de Lon­dres, é investigadora-coordenadora no Cen­tro de Estu­dos Soci­ais da Uni­ver­si­dade de Coim­bra e res­pon­sá­vel pela Cáte­dra Edu­ardo Lou­renço da Uni­ver­si­dade de Bolo­nha e apoio do Ins­ti­tuto Camões. Das suas publi­ca­ções destacam-se os livros África no femi­nino: as mulhe­res por­tu­gue­sas e a Guerra Colo­nial, Uma his­tó­ria de regres­sos: impé­rio, Guerra Colo­nial e pós-colonialismo e ainda, em con­junto com Roberto Vec­chi, Anto­lo­gia da memó­ria poé­tica da guerra colo­nial. Entre 2007 e 2011, coor­de­nou o pro­jecto Os filhos da guerra colo­nial: pós-memória e representações.

 

QUE GUERRA SE CONTA AOS FILHOS?

LUÍS GRAÇA

Soció­logo de for­ma­ção e dou­to­rado em saúde pública pela Uni­ver­si­dade Nova de Lis­boa, é inves­ti­ga­dor e pro­fes­sor uni­ver­si­tá­rio, além de direc­tor da Revista Por­tu­guesa de Saúde Pública, desde 2007. Tem uma página pes­soal na inter­net sobre saúde e tra­ba­lho desde 1999, e desen­volve o blo­gue Luís Graça & Cama­ra­das da Guiné, desde 2004, um caso raro de par­ti­lha de memó­rias e afe­tos entre anti­gos com­ba­ten­tes da guerra colo­nial, com­posto por cerca de 700 membros.

 

Filhos do Vento – Direito ao conhe­ci­mento das ori­gens genéticas?

RAFAEL VALEREIS

Assis­tente con­vi­dado da Facul­dade de Direito da Uni­ver­si­dade de Coim­bra e inves­ti­ga­dor do Cen­tro de Direito Bio­mé­dico da Facul­dade de Direito, da Uni­ver­si­dade de Coim­bra. Inte­gra a equipa do Obser­va­tó­rio Per­ma­nente para a Adop­ção no âmbito do Cen­tro de Direito da Famí­lia da Facul­dade de Direito de Coim­bra. É autor de O Direito ao Conhe­ci­mento das Ori­gens Gené­ti­cas, publi­cado em livro pela Coim­bra Edi­tora em 2008.

As conferências decorrem em português.